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O Petróleo e a COP 28


Ênio Fonseca

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Engenheiro Florestal especialista em gestao socioambiental, gestor de sustentabilidade na AMF. CEO da Pack of Wolves Assessoria Socioambiental, Conselheiro do FMASE. Foi Superintendente do Ibama, Conselheiro do Copam e Superintendente de Gestão Ambiental da Cemig. Membro do IBRADES.


Um dos principais temas em discussão na COP28- Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que acontece em Dubai e vai até o dia 12 de dezembro, aponta o uso do petróleo como um dos principais responsáveis pela emissão de carbono – apontado como um dos principais agravantes do aquecimento global.

O assunto também fez parte do Acordo de Paris, assinado em 2015 por 195 países. O compromisso estabelece metas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa. Relatórios científicos indicam que, com a eliminação progressiva de combustíveis fósseis, pode-se atingir o limite de aquecimento do planeta em 1,5°C, conforme estabelece o acordo.

O Ministro da Energia da Arábia Saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman,  disse no evento, que o país rejeitará o texto final da COP28 caso inclua a redução gradual do uso de combustíveis fósseis, quando afirmou  ser  “absolutamente” contrário à proposta” , e criticou países que apoiam a redução gradual dos combustíveis fósseis afirmando ser a iniciativa uma “hipocrisia”. Ele afirmou que, se estes países realmente acreditam nisso, deveriam agir por conta própria.

O sultão Al Jaber, presidente da COP28, disse que "não há ciência" comprovando a necessidade de se reduzir progressivamente o uso de combustíveis fósseis para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. O caso foi revelado pelo o jornal britânico The Guardian.

A declaração de Al Jaber contradiz a própria ONU, que promove a COP28, que afirma que o uso de combustíveis fósseis é o principal causador do aquecimento do planeta.

Com a resistência da Arábia Saudita, os negociadores da COP28 estão explorando alternativas para abordar uma “transição justa” no texto, sem mencionar explicitamente os combustíveis fósseis. Mas ainda não está claro se essa reformulação seria aceitável aos sauditas.

O líder político global da Oil Change International, Romain Ioualalen, disse no evento,  que as falas de Abdulaziz, “são alarmantes”.

A ciência é clara. Não só os combustíveis fósseis precisam de ser eliminados, mas a eliminação precisa começar agora”, afirmou Ioualalen .

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, afirmou que o commodity será usado pelo menos por mais 4 décadas. “Se o mundo ainda vai precisar –e isso é comprovado– de reservas de petróleo ou de usar petróleo nos próximos 40 anos, 50 anos, essa substituição vai se dar dos usos mais absurdos para os mais prioritários”, disse Prates em entrevista ao Valor publicada no dia 7.dez.2023.

Se o mundo ainda vai precisar –e isso é comprovado– de reservas de petróleo ou de usar petróleo nos próximos 40 anos, 50 anos, essa substituição vai se dar dos usos mais absurdos para os mais prioritários”, “Se você parar de produzir petróleo de um dia para o outro, mesmo se a Petrobras fizesse um exercício totalmente fictício de 48 horas sem produzir petróleo, haveria um completo caos no Brasil e até no mercado mundial”, justificou o executivo

Ele defendeu na COP28 uma substituição gradual dos combustíveis e fontes de energia fósseis rumo à descarbonização. Em discurso durante painel sobre o papel de petroleiras para redução das emissões de carbono, o CEO da estatal disse que a transição energética deve ser inclusiva....

Temos a obrigação de nos reunir sobre essa bandeira, para melhorar o planeta passo a passo, sem soluções mágicas, com base na necessidade do mundo real e das pessoas reais”, disse Prates em seu discurso de aproximadamente 5 minutos, feito em inglês. “Nós precisamos nos preocupar com as pessoas, porque a transição energética só será válida se for justa”, completou.

Segundo ele, a transição precisa considerar as disparidades econômicas e sociais do mundo e a necessidade de segurança energética. Afirmou ainda que o tema abrirá uma avenida de oportunidades e progresso.

Como alternativa ao uso do petróleo na atividade de transportes, Maurício Carvalho, sócio fundador do Grupo Urca Energia, afirmou na COP 28, que a utilização do biometano- gás verde é capaz de reduzir até 96% das emissões de carbono, Se todo o potencial do Brasil for aproveitado para produção do biometano, será capaz de suprir 70% da demanda de diesel do país, trocando um combustível fóssil importado por uma solução ambiental produzida em território nacional.

O documento final da COP28 precisa ser aprovado por unanimidade e as negociações devem continuar até 12 de dezembro, último dia da cúpula que está sendo presidida pelos Emirados Árabes.

São discussões importantes e complexas sobre o uso do Petróleo, e a sociedade não pode esquecer que este mineral não se destina apenas ao transporte. Ele tem mais de 6 mil subprodutos que são utilizados em milhares de aplicações em todas as atividades humanas. E seu preço define um dos mais importantes aspectos de utilização por parte de quase todos os países do mundo.

 

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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