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Preciso agradecer.


Paulo Leite

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Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks.


Navegar é preciso, viver não é preciso, disse o Pessoa traçando o senso da precisão no seu sentido exato. A vida é ato livre, mas não nos é permitido levá-la como nau sem rumo. Hoje, depois de ter lido a coluna do amigo e companheiro de bancada, vida e copo, Ricardo Kertzman veio-me a precisão no sentido da necessidade. Preciso agradecer a muitos, sem nominá-los, mas guardando-os na memória que roteiriza o filme da vida, que como disse o Pessoa, não deve ser precisa.

Não cheguei aos 48 de profissão em voo solo. O garoto que aos poucos mais de 20 anos entrou numa emissora de rádio para ser discotecário, isso mesmo, limpar e guardar discos, os maravilhosos “long play”, sempre precisou de muitos. Hoje, 48 anos depois, assisto esse filme e lembro com muito carinho de tudo o que fiz. Fui como devem ser os humanos, bom e mau, alegre e triste, responsável e irresponsável, firme e leve, mas sempre fui eu mesmo. Esse ser carregado de defeitos, mas com um punhadinho de qualidades. Enfrentei a vida a tendo como parceira e descobri que bom mesmo é viver.

A profissão que escolhi, ou será que foi ela que me escolheu, reserva sempre a surpresa cotidiana. Nossos dias quase nunca são iguais aos outros. Somos companheiros da inquietude e da insatisfação; da euforia e do cansaço. Disse Millor: “A imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. Frase que remeta à necessidade do senso crítico aguçado que sempre me obriguei a manter.

Hoje, com carinho, os meus colegas de redação me chamam de vovô. Aos meus netinhos e netinhas um beijo carinhoso. Persistam, Insistam e levem sempre consigo a coragem de quebrar as barreiras, aliada com o respeito pelos seres que habitam esse planeta. 

Hoje é dia de agradecer. Agradecer à Deus, sou um teísta confesso, aos meus pais, aos meus filhos, aos amigos, aos meus colegas de profissão, aos que me ouvem, me leem e me assistem. Aos que gostam e aos que não gostam de mim. Não estou só. Sou um ser cósmico. Telúrico nas percepções e cósmico no olhar que destino à vida. Gostaria de celebrar essa minha alegria de ter chegado até aqui, aos 48 anos de profissão, com duas palavras, as mais belas que aprendi a usar. Muito obrigado.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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